O nosso caminho na terra

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Por Cristo, à Santíssima Trindade

Mais tarde, a alma precisa de chegar ao trato com cada uma das Pessoas divinas. É uma descoberta, como as que faz um menino pequeno na vida terrena, essa que a alma realiza na vida sobrenatural. E começa a falar com o Pai e com o Filho e com o Espírito Santo; e a sentir a atividade do Paráclito vivificador, que Se nos dá sem que o mereçamos: os dons e as virtudes sobrenaturais! E, sem disso nos apercebermos, chegamos de algum modo à união.

Fomos «quemadmodum desiderat cervus ad fontes aquarum»9: como o cervo que anseia pelas fontes das águas, com sede, gretada a boca, com secura. Queremos beber nesse manancial de água viva. E, sem fazer coisas estranhas, ao longo do dia, com a formação que se recebe na Obra – que se baseia em descomplicar a alma humana –, chega-se a esse abundante e claro veio de frescas linfas que brotam para a vida eterna10. Então, já não se fala, porque a língua não sabe expressar-se; já o entendimento se aquieta. Não se fala, fita-se! E a alma não se contém e canta, porque se sente e se sabe amorosamente olhada por Deus em todos os momentos.

Não sabeis o consolo que senti quando, depois de repetir durante anos e anos que, para uma alma contemplativa, até o sono é oração, encontrei um texto de São Jerónimo que diz o mesmo.

Só com uma dedicação completa – dentro das nossas imperfeições, com a humilhação dos nossos fracassos internos, que nos levam a voltar todos os dias para Deus – se consegue regressar ao caminho principal quando há obstáculos. Tenho-vo-lo dito muitas vezes: eu faço constantemente o papel de filho pródigo. É esse o momento da contrição, do amor, da fusão da criatura, que é nada, com o seu Deus e o seu amor, que é tudo.

Meus filhos, não vos falo de coisas extraordinárias. São, têm de ser, fenómenos ordinários da nossa alma. E é por aí que deveis levar os vossos irmãos: até essa loucura de amor que ensina a saber sofrer e a saber viver, porque Deus nos concede o dom da sabedoria. Que serenidade, que paz, se alcança então!

Ascética? Mística? Não saberia dizer. Seja o que for, ascética ou mística, tanto faz: é um dom de Deus. Se procurares meditar, chegará um momento em que o Senhor não te negará os seus dons; ser-te-ão concedidos pelo Espírito Santo. Fé, meus filhos, e obras de fé. Porque isso já é contemplação e é união. E esta é a vida dos meus filhos no meio dos afãs do mundo, mesmo que nem sequer se apercebam disso. Um tipo de oração e de vida que não nos afasta das coisas da Terra, que, no meio delas, nos leva a Deus. E, ao levar as coisas terrenas a Deus, a criatura diviniza o mundo. Falei tantas vezes do mito do rei Midas...! Convertemos em ouro tudo aquilo em que tocamos, apesar dos nossos erros pessoais.

Temas deste ponto

Ponto de São Josemaria Escrivá, reproduzido integralmente com autorização e sincronizado da fonte oficial.

Fonte: Escriva.org